segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Para, porra! Luta!

Tu quer a emoção de um filme
Mas foge da emoção da esquina
Entoa mantras e cânticos ancestrais
Mas faz ouvidos moucos pros contemporâneos
Busca pela experiência transcendental
Mas já tem convicções do que ele será
Deseja com ardor a paixão arrebatadora
E quando ela não vem fabrica uma
Idolatra belos ideais, profundas verdades
Mas esquece que é a pergunta que mais vale….

Tu quer um mundo que não existe
E na busca de uma fantasia, perde a realidade que te rodeia
Na busca de enquadrar a realidade nos mitos confortáveis e conhecidos,
Esquece que a graça dela reside justamente na sua singularidade e selvageria…

Para, porra!
Coloca a faca entre os dentes e aguenta o palpitar no coração
Tá escutando esse tambor ensurdecedor do sangue latejando dentro dos ouvidos?
Se lança ao desconhecido e bebe das surpresas que a vida te trouxer, te embriaga com elas, luta com elas, guerreia!

Quer viver? Luta!

Estar vivo e andar pelas próprias pernas é uma sensação incomparável!

Uma vez experimentada não existe mais volta…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Título obscuro com significados herméticos

Vim aqui pra nada dizer, mas enigmar.

Na composição do substrato poético de minha mensagem coloco ícones e desentendimentos, misturo, embaralho, acrescento abordagens, mudo enfoques, oblitero contextos e consigo significar alucinantes conspirações.

Mas quando você me lê, está se lendo, que diferença faz a minha mensagem? Que diferença faz o meu mistério?

E quando você me escreve, com suas referências e ousadias, construções e polimentos, você escreve pra si mesmo.

Vou abandonar o obscuro, é um círculo vicioso de auto desconhecimento, uma ocultação atrás do mistério, uma clausura no hermetismo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Viver é morrer

Viver é morrer todo dia,
É enterrar cadáveres e mais cadáveres de si mesmo,
Remover galhos secos e folhas murchas.
Viver é renascer todo dia,
Brotar novos galhos, crescer novas folhas,
Lançar mais raízes pq as que tem já não servem mais.
Morrer é não deixar morrer,
É agarrar-se ao cadáver e ser enterrado com ele,
É manter o galho podre e apodrecer com ele.

Morra e então viva, ou não morra e morra.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Homem Samambaia

A realidade não existe.
Não do jeito que você enxerga
É captada pelo corpo
e processada pela mente.
Se a realidade existe só em mim…
não é a mente,
não é o corpo,
mas é…
…minha!
Minha, eu pinto ela com meus contrastes
Chiaro schuro,
Multicor, chapado, nuances.
É minha pras ser moldada, lapidada e então…
…sorvida.
Não me enxergo como me compreendo.
Se meus olhos acompanhassem
a Minha realidade,
veriam ramos partindo de mim,
gavinhas se enroscando nas cordas do espaço-tempo,
flores e frutos brotando,
raízes prospectando o solo fértil em busca de vida!
Se a realidade acompanhasse a minha própria,
eu seria o Homem Samambaia e estaria fincado num xaxim….

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dicas Culinárias para Relacionamentos Aromáticos

Maria amava José, mas comia ele sem acompanhamentos. Nos primeiros seis meses foi um gozo cada vez que comia José e então… enjoou.

Maria passou a achar o gosto de José meio sem sal e sem açúcar e começou a complementar com João que carregava sempre um gostinho de Luana junto.

José achou que Maria não lhe cozinhava com a devida pressão e começou a visitar panelas vizinhas.

Luana cozinhou José no tempo certo com a devida pressão e foi um banquete!

Maria se horrorizou com o gosto de José pq começou a ficar parecido com o gosto de João e achou que o problema era ela, mas mau sabia ela que era o gosto que Luana que os tornava parecidos.

Antônio que tudo observava, resolveu colocar pimenta nessa quase novela mexicana e ainda acrescentou nomes pra dar um sabor condizente com a história.

José Alfredo que amava Maria Joaquina que complementou com João Marcos que trazia o sabor de Luana Paula que cozinhou José Alfredo que horrorizou Maria Joaquina.

Marco Antônio ( ficou com invejinha e colocou um nome também ), resolveu que queria cozinhar também e preparou um banquete de Cleópatra que não tinha dois nomes mas servia duas porções.

Luana Paula resolveu colocar umas ervas e comeu José Alfredo, tendo João Marcos como acompanhamento.

Maria Joaquina ficou para sobremesa.