sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Chá e a Poetisa

Tinha um caneco e nele tinha chá.
Bonito, soltando vapor em caneca robusta e experiente.
Peguei o caneco tal qual tijela e senti o calor nas mãos
Acariciei o caneco como a um doce amor e aspirei o aroma no vapor quente
O chá tinha cheiro.
O chá tinha cheiro de Sandra.

Sobressaltei-me pois como saber de um cheiro que jamais senti?
E como saber qual o dono desse desconhecido ?
Peguei o caneco tal qual bacia ritual e senti o clamor de um feitiço
Escrutei o caneco como a um grimório antigo e aspirei encantamentos
O chá tinha cheiro.
O chá tinha cheiro de Sandra

Sandra, a poetisa junguiana que visita meus pensamentos!
Sandra, a invasora que agora quer dominar meu nariz!
Peguei o caneco tal qual pessoa e senti irmandade
Abracei o caneco como a um amigo e aspirei cumplicidades
O chá tinha cheiro.
O chá tinha cheiro de Sandra.

Como pode a rebelião de meus sentidos assim?
Como pode essa tomada de assalto da minha percepção?
Peguei o caneco tal qual guerreiro e ouvi o clangor
Brandi o caneco como a uma espada e aspirei batalhas
Mas o chá tinha cheiro.
O chá tinha cheiro de Sandra.

Um comentário:

SAN DE ALMA BREJEIRA COELHO disse...

esse chá deve ser alucinógeno...